Mercado nacional atrai redes de hotéis econômicos

“Hotéis econômicos ainda têm espaço para crescer no País”, destaca o Jornal DCI com entrevista do diretor da M.Stortti, Maurênio Stortti.

Aposta do setor. Enquanto bandeiras já implantadas no País correm para expandir, marcas internacionais não ficam para trás e encontram parceiros locais para conseguir se estabelecer

São Paulo – Em momentos de instabilidade, grandes redes hoteleiras aproveitam para realizar aquisições, conversões e parcerias para expandir. O segmento econômico tem se mostrado uma das preferências, por requerer menor valor de investimento e ter boa rentabilidade.

Em média, os hotéis econômicos têm entre 100 e 130 quartos com diárias medias que variam entre R$ 160 e R$ 170. Trata-se de um modelo de operação e investimento com tendência agressiva, principalmente em cidades do interior acima de 100 mil habitantes. É o que acredita o diretor da consultoria MSH Gestão Hoteleira, Maurênio Stortti. Para ele, o mercado ainda não está consolidado e tem um grande espaço para crescer.

De acordo com Stortti, as regiões Sul e Sudeste continuam sendo as mais aquecidas, mas os investimentos para o Nordeste estão aumentando. “Já vemos movimentações para o Recife (PE), João Pessoa (PB) e Fortaleza (CE)”, aponta o executivo, que também está realizando um projeto com a rede GJP.

O diretor revelou que a GJP tem mirado principalmente capitais da região Nordeste, mas cidades como Campina Grande (PB) também fazem parte do estudo. “Ao analisar os locais leva-se em consideração as cidades em que o turismo de negócios seja muito procurado nos dias úteis, mas que tenham público de lazer para os finais de semana”, diz. Segundo o executivo, as empresas mais agressivas no mercado econômico atualmente são Accor, Intercity, Super 8 e GJP.

Stortti afirma que a meta continua sendo atingir taxas de ocupação entre 60% e 70%, mas com a queda nas viagens de negócios as médias no primeiro semestre foram entre 50% e 55%. “A tendência é de que as redes cresçam entre os hotéis independentes pela capacidade de negociação com fornecedores e pelo poder de distribuição maior”, revela.

Outra que mostra interesse no mercado, segundo ele, é o Hyatt com sua bandeira Hyatt Place. “Todos os grandes grupos – como Sheraton e Hilton – devem vir com suas bandeiras econômicas ou intermediárias”, conclui.

Expectativa superada

No final do ano passado, a bandeira Nobile havia anunciado parceria com uma das líderes do segmento econômico nos Estados Unidos, a Red Roof. A expectativa era inaugurar pelo menos um hotel da marca este ano, mas isso foi superado. “Devemos abrir três hotéis e já temos mais três cartas de intenção assinadas. No dia primeiro de agosto inauguramos em Curitiba (PR) e em dois meses devemos abrir em Marabá (PA). Em 90 dias devemos fechar um contrato no Norte”, ressaltou o fundador e presidente da Nobile Hotéis, Roberto Bertino.

A meta é atingir no Brasil entre 35 e 40 hotéis até 2025, mas o executivo afirma que a procura tem sido maior. Logo é provável que o número de empreendimentos seja superado. “Na instabilidade econômica a demanda aumenta, pois os empreendimentos independentes procuram marcas que fortaleçam o negócio”, explica.

Para ele, o modelo, além de rentável tem vantagens no período de instabilidade econômica. “Neste momento, o midscale (hospedagem com mais serviços) é o que mais sofre, pois o budget das empresas diminui e elas têm de optar por tarifas menores”. No semestre, a Nobile viu queda de 8% na taxa de ocupação ante ao mesmo período de 2014, impulsionada pelo segmento midscale.

O executivo afirma que a queda da demanda é baixa, se comparada à procura deste perfil de executivos. “As viagens de negócios diminuem, mas em contrapartida temos os clientes que optam por bandeiras com melhor custo-benefício”, diz. Bertino afirmou que apesar disso está otimista e assinou parcerias com o Wyndham Hotels Group. “Nesta aliança estamos com as bandeiras Grand, Tryp, Garden e Hawthorn”, explica.

Questionado sobre a capacidade de conseguir capital no cenário de crise econômica, o executivo afirma que está mais difícil o acesso ao crédito, mas para contornar a situação tem recorrido a fundos de capital estrangeiros. “Também estamos tentando entrar na Associação Brasileira de Franchising (ABF) com algumas bandeiras. Se o parceiro quiser fazer uma conversão existem linhas de crédito com a ABF “. A rede ainda tem parceria com o Banco do Nordeste (BNB) para criar novos hotéis na região. Em 2014, a rede faturou R$ 122 milhões e a expectativa é atingir R$ 160 milhões até o final deste ano.

Estratégico

A Accor contou com 11 aberturas no primeiro semestre deste ano e a expectativa é chegar 33, dos quais a maioria serão econômicos. Segundo o diretor adjunto de desenvolvimento AccorHotels na América do Sul, Eduardo Camargo, “neste cenário os hotéis econômicos sofrem menos”. Ele explica que 75% dos hotéis no País são independentes, mas neste momento da economia muitas famílias têm procurado as bandeiras.

Entre novembro de 2014 e maio de 2015, a Accor teve 26 novos contratos assinados, sendo 21 dentro da Família Ibis. Dos Ibis, 16 são fora de capitais. “Nas cidades primárias, as regiões mais aquecidas são os centros de negócio e comércio como shoppings”, ressalta.

No Brasil, a Accor possui 219 hotéis. Entre as bandeiras econômicas estão 102 Ibis, 20 Ibis Budget e 7 Ibis Styles. “Ainda existe muito espaço para crescer. Se compararmos com o México, lá são 8 quartos de hotel por 1 mil habitantes. Aqui, a relação é de dois por 1 mil habitante”, contabiliza.

Para alavancar as reservas, Camargo revela que as principais estratégias no semestre foram investir em marketing on-line e em ferramentas de busca. “Também ampliamos o foco no público de lazer para aumentar a taxa de ocupação nos finais de semana. Além dos subsegmentos como grupos de esporte, público de eventos sociais e terceira idade”.

Modelo

Conforme a sócia diretora da consultoria Mapie, Carolina Sass de Haro, o modelo econômico é o segmento que apresenta maior potencial de crescimento no mercado brasileiro. “Há uma grande oportunidade de expansão para cidades terciárias no Brasil e este é o modelo mais adequado e rentável”.

Para ela, o crescimento dessas bandeiras no mundo também está relacionado ao surgimento dos clientes das novas gerações Y e Millenium, que tendem a optar pela hospedagem em hotéis econômicos.

Vivian Ito

http://www.dci.com.br/em-destaque/hoteis-economicos-tem-espaco-para-crescer-no-pais-id487191.html

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